segunda-feira, 20 de junho de 2011

SIMPLES POEMAS  

Estes meus simples poemas
Que venho aqui transmitir
Expressam humildes temas
Nas quadras do meu sentir.

Faço versos por prazer
Se tenho imaginação
Quer nas horas de lazer
Quer n´outra  ocasião.

Dá-me gosto versejar
E ler depois o que escrevo
E neste meu caminhar
Sem ser poeta me atrevo.

E geralmente os meus temas
São os flagrantes da vida
Desde as coisas mais pequenas
Às maiores e à partida.

Partida para escrever
O que n´altura sentir
Mágoas para esquecer
Vontade p´ra reagir.

(Março 2003)
A BANDEIRA NACIONAL

Oh que linda é a bandeira
Deste meu país natal
É símbolo da nossa pátria
Deste país sem igual

Quando passares por ela
Olha-a e apura o ouvido
Põe-te como a sentinela
Em posição de sentido

Irás por certo escutar
O passado imortal
Dos feitos dos portugueses
Das gentes de Portugal

 (2003)
Covilhã – Minha terra

Oh Covilhã minha terra
Tu para mim tens beleza
Terra de altas tradições
Que são a tua riqueza.



Covilhã dos lanifícios
Indústria de largos anos
Cuja fazenda era feita
Na Fábrica  Real de Panos.

Era aqui na Covilhã
Nesta bonita cidade
Que era cardada a lã
Onde hoje é a Universidade.

Por toda a parte passavam
P´rá fábrica os operários
Actualmente vão passando
Os jovens universitários.

A tua Serra da Estrela
Chamada assim pela plebe
Sempre ela fica mais bela
Quando coberta de neve.

Covilhã terra de encantos
De boa gente lhanesa
Fascinam-me os teus recantos
Linda terra portuguesa.

(Janeiro 2003)
AO MEU PAI

No dia dos namorados
É que foram terminados
Teus dias querido pai

E eu recordo com saudade
Aquela velha amizade
Do tempo que já lá vai.

Foi no dia do amor
Que Deus Pai Nosso Senhor
Te veio buscar para sempre
Ficou a recordação
Daquela grande união
Do pai sempre sorridente.

Já só nos resta chorar
E o verbo amar conjugar
No particípio passado,
Mas o nosso pai amado
Sempre bom e indulgente
Continua a ser lembrado
Por nós e por toda a gente.

(Fevereiro 2003)
O CHAPÉU DO MEU PAI
A recordação com que fiquei
O teu chapéu querido pai
Me faz lembrar e só eu sei
O bom tempo que lá vai

(2003)
À MINHA MÃE

Mãe: tu foste aquela Mãe
No tempo em que estavas bem

Incansável, bem disposta
Acolhendo todos também

Foi tarde que reconheci
Tuas belas qualidades
Hoje que os anos passaram
E eu estou já da mesma idade

Se fosse agora ó mãe
Eu seria mais zelosa
Pois só tarde vi também
Que perdi a mãe bondosa

(Março 2003)

 
O FERRO DE PASSAR

Aquele ferro de passar
Não o vou dar a ninguém
Pois que ele me faz lembrar
Aquele homem de bem
Que viveu só para os outros
Como uma total afeição
Aquele que foi meu sogro
Alfaiate de profissão.

(2003)
À MINHA PESSOA

Oh! Quão breve passou
O tempo que já lá vai
De quando eu era menina
Muito amada de meu pai

E como muito me amou
Naquele primeiro lar
Ele então me ensinou
A ler escrever e contar

Minha mãe levou-me à escola
E falou desta maneira:
Minha filha já sabe ler
Passei logo da primeira

E na aula a professora
Querendo saber meu perfil
Me fez ler no calendário
Sómente a palavra Abril

(2003)
À PROCURA DA FELICIDADE



Todos querem ser felizes
E vão correndo à procura
Por vezes numa aventura
De cores e de matizes

 

E eis de que correr se espanta
Aquele que mais correu
Pois que nada é coisa tanta
A não ser o próprio Céu

Vislumbra, ver no Além
O que a terra não contém
Vida bela, vida santa
E isso sim o encanta

(2002)

A MÚSICA

A música é minha paixão
E também minha alegria
Em qualquer ocasião
Ela é minha companhia

Seja clássica ou popular
De dança mas não ruído
É toda de apreciar
Pois delícia o ouvido

(Março 2003)

A VIDA NO CAMPO

Como é bom viver no campo
Com suas árvores frondosas
Suas águas cristalinas
Suas flores maravilhosas

O ar puro da montanha
Que sempre lá respiramos
Dá-nos vida e a saúde
Que todos ambicionamos.

As cabrinhas e ovelhas
Que se encontram a pastar
Têm graça e encanto
Com  seu belo chocalhar.

E já de noite os grilinhos
Parecendo estar em festa
Cantam muito afinadinhos
Fazem lembrar uma orquestra.

E também dois passarinhos
O cuco e a cotovia
Nos encantam quando cantam
Sua bela melodia;

E a seguir quando a lua
Já se eleva no ar
Que paz que tranquilidade
Sentimos ao descansar.

E depois quando amanhece
Bem cedo de madrugada
Logo a seguir apetece
Fazer uma caminhada.                       
 
(Agosto - 2002)

n

AS ALDEIAS

A acalmia das aldeias
É coisa de apreciar
Quer de dia quer de noite
Sua paz é salutar

 Já estive em Peraboa
Uns tempos a veranear
E me lembro do relógio
Na torre sempre a tocar

Quando despontava a aurora
Ouvia-se o galo cantar
E pela tardinha agora
Os pardais a pipilar
E do campo regressando
O burro com seu zurrar

E depois já bem escuro
Cós grilinhos a cantar
Respirava-se o ar puro
Contemplava-se o luar

Os vizinhos se ajuntavam
Uns c´os outros a conversar
No fim diziam boas noites
Está na hora de deitar.

E todos então seguiam
Cada qual para o seu lar
E bem quentinhos na cama
Faziam por descansar
COMO O POVO FALA OU FALAVA

É dos tempos da candeia
O quê venho aqui falari
Q´esta gente portugueisa
Só tinha a candeia aceisa
Cando era p´ra cear

No tempo dos meus avós
Havia boa ónião
Ceávamos todos à mensa
Era a última refêção

E minha avó atrasada
De ´star a abanar ó fogão
Vinha p´ra mensa apressada
Desculpava-se co cravão

E todos d´ímpé fecávamos
P´ra fazeiramos oração
E ó despois nos assintavamos
P´ra comeireimos o fêjão

E nas horas do travalho
Não havia openião
Comíamos do mesmo tacho
Sintavamos o cu no tchão

Iamos à senhô da Pova
E lá comprávamos ma bonecra
E cando tchegávos à terra
Davamosa à nossa neta

P´ros garotoso ma carrola
Dasquelas que têm ma pomba
Como eiles queriem ma bola
Mostarvem-nos cá cada tromba!

E atão na romaria
Era fartar de comeire
E toda a gente se ria
Co ti Zéi sempre a boeire

E já em casa cansados
De tanto andar a péi
Avintávamos cô tchale
E os homens cô bonéi

E despois ó outro dia
Punhamos todos a pinsar
No que dava a romaria
Quéra só pra tchatiar






Porque o ti Zéi já ca pinga
Começava a barafustar
Por uma merda cagada
Que nem tinha por onde se pegar

Lá porque a mulher comprou
Umas tristes alpargatas
Logo ele ali arranjou
Mas poucas  de zargatas

E comêramos e boeramos
E dançáramos no arraial
E alguns dançarem bem
Mas outros dançarem mal

E as catchopas e os rapazes
Aquilo é que era bailhar
E andavem lá p´ros cantos
E a gente a veilos bêjar

Agora é ma pôca vargonha
Já nem há respêto não
E nem se pode falari
Porque eiles é que têm rezão

E as crianças a brincar
Às vezes tamém brilhavem
E suas mães sempre a relhar
P´ro pé delas os tchamavem

Não fui eu dizia um
Eu só queria era jogar
E tu tirastes ma  bola
Mas anda que lá na escola
Inda mas hades pagar

E era ma linda festa 
A da senhêra da Pova
Sempre lá he-de voltari
Inté que vá para a cova

E viva a senhô da Pova
Qu´eu p´ro ano lá hêde ir
Ó a péi ó a cavalo
Muto mêde advertir                                                  

(2003)
O RELÓGIO E O SINO

Um lindo bébé nasceu
Numa tarde de Verão
Logo após aconteceu
O relógio tocar dão, dão,dão

 

Passam meses e o menino
Lá vai para o infantário
Por ser muito pequenino
Ele ficou no berçário.

E à hora da saída
Pelas cinco ou seis da tarde
Ouve-se lá da ermida
Tocar o sino às trindades

Cresceu e vai para a escola
Carregando a sacola
E agora ele corre
Pois ouve o relógio da torre

Dão, dão, dão, dão
E a pensar que eram três
Bateu quatro desta vez
Deu-lhe um salto o coração

Uns tantos anos passados
Conheceu uma moçoila
Com faces cor de papoila
E ficaram enamorados

E sempre que namorava
Com ela p´las tardes fora
O relógio não parava
De bater a toda a hora

´Té que um dia o casamento
Foi uma revelação
E ouviu-se no momento
O sino tocar Dlim Dlão, Dlim Dlão, Dlim Dlão

E mais tarde já na hora
Vindo o tempo da abalada
Sentiram que o relógio agora
Dava a última pancada

Toca o relógio e o sino
Sempre em boa união
O sino toca nas festas
O relógio na ocasião
BOM E MAU TEMPO


Quando cai a chuva
E vem  nevoeiro
Fica tudo escuro
Para o dia inteiro

Mas num outro dia
Se aparece o sol
Tudo é alegria
Canta a cotovia
Canta o rouxinol

(2003)
AS FLORES


Que beleza há nas flores
Com seu perfume sortido
E as suas lindas cores
Juntas são jardim florido

As rosas, os malmequeres
Os jacintos, os jasmins
Os cravos e as papoilas
Camélias e alecrim
Amores perfeitos e dálias
Os lírios , as açúcenas
As hortenses, as tulipas
E as violetas pequenas
São todas flores de encantar
São  ornamento da Terra
Espalhadas pelo campo
Pelos vales e pela serra

E mais belo que as flores
Só as crianças Senhor
Elas são uma ternura
E as florinhas doçura

(2002)

A BORBOLETA

Oh que linda a borboleta
Voando de flor em flor
Que faz lembrar aos poetas
O poema do amor

Beija uma, beija outra
Com uma grande ternura
Que beleza dá à vida
Ao passar deixa doçura

E vai poisar numa rosa
Noutra depois mais além
Esta linda mariposa
Trás doçura a nós também

(2003)

AS COBRAS

Deste-me por tema: as cobras
E me lembrei da serpente
Que enganou Adão e Eva
A mim e a ti, toda a gente.

Todos pecaram então
Por causa da lisongeira
Que com palavrinhas doces
Enganou desta maneira

Mas o Senhor nos resgatou
Morrendo por nós na Cruz
Peçamos-lhe pois perdãp
Perdão, perdão meu Jesus!

(2002)