segunda-feira, 20 de junho de 2011

OUTROS TEMPOS OUTRAS GENTES

Eu recordo com saudade
O viver do meu país
E aquela velha amizade
Que me fazia feliz

Tudo era união
Tudo na vida era paz
Ficou a recordação
Pois já nada volta atrás

E falando de pregões
Recordo a humilde peixeira
Que apregoava nas ruas
Da tão formosa Figueira

E em Lisboa o pregoeiro
Dos figos da capa rota
Por algum…pouco dinheiro
Lançava pregões à solta

E era de Coimbra a arrefada
E eram bolos do Fundão
E sardinha da Afurada
Pão de Ló de Alfeizerão

Vinha o homem do petróleo
Tocando um apito fino
E as mulheres com garrafas
P´ra comprar ao petrolino

E à porta o leiteiro
Media o leite ao quartilho
E também o barquilheiro
Fazia rolar o barquilho

E vem chegando então
O vendedor da carqueija
A lançar o seu pregão
Para que toda a gente o veja

E também o carvoeiro
Para vender o carvão
À sua espera as mulheres
Para acender o fogão

Isto é do tempo passado
Do tempo de outra gente
Hoje tudo está mudado
Tudo é bem diferente

É o avanço da ciência
Das novas tecnologias
A era do telemóvel
Internet e outras vias

(2002)

Sem comentários:

Enviar um comentário