OUTROS TEMPOS OUTRAS GENTES
Eu recordo com saudade
O viver do meu país
E aquela velha amizade
Que me fazia feliz
Tudo era união
Tudo na vida era paz
Ficou a recordação
Pois já nada volta atrás
E falando de pregões
Recordo a humilde peixeira
Que apregoava nas ruas
Da tão formosa Figueira
E em Lisboa o pregoeiro
Dos figos da capa rota
Por algum…pouco dinheiro
Lançava pregões à solta
E era de Coimbra a arrefada
E eram bolos do Fundão
E sardinha da Afurada
Pão de Ló de Alfeizerão
Vinha o homem do petróleo
Tocando um apito fino
E as mulheres com garrafas
P´ra comprar ao petrolino
E à porta o leiteiro
Media o leite ao quartilho
E também o barquilheiro
Fazia rolar o barquilho
E vem chegando então
O vendedor da carqueija
A lançar o seu pregão
E também o carvoeiro
À sua espera as mulheres
Isto é do tempo passado
Do tempo de outra gente
Hoje tudo está mudado
Tudo é bem diferente
É o avanço da ciência
Das novas tecnologias
A era do telemóvel
Internet e outras vias
(2002)
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